segunda-feira, 7 de julho de 2014

Post novo, fim de ano, brigas, mãe leoa, devaneios...

Tempos e tempos sem aparecer... pois é..
Coisas da vida!
Não foi esquecimento, nem abandono..
Foram dificuldades e falta de internet mesmo.

Já vamos voltar botando lenha na fogueira..
Já que este espaço é meu, estou com vontade de despejar aqui algumas coisas que por vezes não tenho com quem compartilhar.
Ás vezes (muitas vezes na verdade) me sinto um tanto sozinha nessa cidade.. é bem verdade que converso com as minhas amigas pela internet, mas nada se compara ao papo de verdade, sentar juntas.. enfim..
Andei passando por umas poucas muitas e boas péssimas..
Quem gosta de novela, começa a acompanhar que o papo é reto! rs

Primeiro, o que quero deixar registrado, deixo sem ser uma pessoa/postagem anônima, não me escondo atrás de um blog, vou deixar aberto a comentários.. simplesmente porque não acredito que estou tão errada assim.
Segundo, isso é um desabafo.. não to aqui pra botar ninguém na fogueira das bruxas.

Chega de enrolação e vamos as fatos..

DESMAME DO CAIO
Fim de ano, planejamento para o começo do ano, planos para colocar o Caio na escola.
Ele estava com quase 3 aninhos, pensei em começar a fazer um desmame gradual, para que ele não sofresse quando começasse a escola.
Começamos, pouco a pouco fui distraindo ele durante o dia, e dando o "tetê" só a noite.
Mudei a caminha dele para um quarto só dele, para ver se incentivava ele a deixar de mamar a noite.
Por esses dias ganhamos uma criança chorona e muito carente e manhosa em casa.
Totalmente compreensível, já que ele estava se desvinculando de uma coisa que fez desde que nasceu, é tudo muito,muito novo.

FIM DE ANO
Como já disse anteriormente, era fim de ano, e como de praxe fomos passar o final de ano na cidade dos nossos pais, e assim, mais perto das nossas famílias. (Pelo menos a intenção era essa)
Caio sendo uma criança de apartamento, quer brincar o máximo que ele pode, sempre que consegue companhia, o que é o caso nesse relato, já que a tia dele é criança.

PROBLEMAS
Numa bela noite de dezembro, quando a tia e companheira de brincadeiras do Caio se cansou, ela foi dormir mais cedo. Até ai tudo normal.. menos a minha dor de cabeça pelo excesso de calor..
Deitei na sala e fiquei esperando o analgésico fazer efeito tentando esquecer que minha cabeça doía tanto, quando escutava a voz do Cacá no quarto da tia dizendo:
"titia, você não quer dormir, você quer brincar... abre olhos titia, por favor"
Achei bonitinho ele falando com a tia, pedindo pra brincar, quando de repente o cenário tão calmo de duas crianças conversando sobre a hora de ir pra cama foi bruscamente interrompido com gritos e choro.
Assim que consegui voltar a minha sintonia pro planeta Terra, que comecei a notar o que estava acontecendo..
O pai do meu marido estava aos gritos com o Caio no quarto, porque ele não podia fazer aquilo que ele estava fazendo (pedir pra tia ficar acordada) porque ela precisa descansar.
...

(vou fazer uma pausa pra que você pense na situação)

Quando eu ouvi a tamanha palhaçada que estava acontecendo, e o motivo imbecil de tanta gritaria com uma criança de quase 3 anos, confesso que senti um desprezo tão grande dentro de mim, um nojo, uma raiva..
Sai da sala sem enxergar as coisas que estavam a minha frente, eu só queria ver meu filho que estava aos gritos.

PRIMEIRA PERGUNTA: O QUE VOCÊ FARIA NO MEU LUGAR?

Eu estava num estágio um tanto quanto letárgico, e confesso que demorei um pouco a perceber o que estava acontecendo, quando cheguei no quarto, a mãe do meu marido estava com o Caio no colo, entre o quarto e o banheiro tirando a cueca dele porque ele estava ensopado de xixi.
Tinha feito xixi na calça de tanto chorar.. e (pra sua surpresa) o pai do meu marido estava ao pé da porta do banheiro aos gritos com o Caio AINDA...

SEGUNDA PERGUNTA: O QUE VOCÊ FARIA NO MEU LUGAR SE FOSSE SEU FILHO?

Vou escrever exatamente quais foram as palavras que sairam da minha boca:
Peguei o Caio no colo e disse: VEM AQUI COM A MAMÃE FILHO!
Então comecei a acalmar o Caio, levei ele pro quarto, ele mal conseguia respirar de tanto que chorava, quando veio no meu colo, imediatamente ele pediu o peito. Eu, diante de uma situação dessas, depois de um progresso de desmame de mais de uma semana, cedi - LÓGICO!
Meu marido estava perguntando pro pai dele o porque de tudo isso, e pediu que tivesse paciência com o Caio, ele estava em fase de desmame, e bem ressentindo com isso.
A resposta que ouvi na porta do quarto foi:
- PROBLEMA NÃO É MEU! Não vou admitir manha de criança dentro da minha casa!

TERCEIRA PERGUNTA: O QUE VOCÊ FARIA NO MEU LUGAR?

Assim que ouvi isso, fui recolhendo as minha coisas que estavam no quarto.
Quando meu marido entrou no quarto, pedi pra ele me levar pra casa da minha da mãe.
Ele se recusou no primeiro momento, mas eu insisti.
Não sou obrigada a ficar ouvindo essas coisas, não sou obrigada a tolerar que gritem com meu filho a toa, não abri mão da minha maternidade em nenhum momento da minha vida pra admitir que passem a minha frente, se meu filho estivesse errado, o pai e a mãe dele estavam no cômodo ao lado, era só chamar e não ficar gritando feito um animal, e principalmente - não aceito pro meu filho um tratamento que não dão nem a filha deles.

QUARTA PERGUNTA: O QUE VOCÊ FARIA NO MEU LUGAR?

Esperei o Caio mamar e se acalmar, enquanto ele mamava falei pro meu marido o quanto achava ridículo tudo aquilo, e que eu não queria ficar ali por vários motivos.
Primeiro pela situação toda, e outra, não estava disposta que ninguém viesse me falar nada, aparecesse ali com alguma falsa moral pra justificar tudo aquilo porque eu ia ser muito, muito estúpida, e não, eu não estava realmente com vontade de perder a razão por nada nesse mundo inteiro.
Depois de tudo isso a única coisa que eu tinha dito a respeito era: filho, vem aqui com a mamãe.

Depois de muita insistência pra me levar embora, convenci meu marido que não existia a menor possibilidade de que eu ficasse ali aquela noite, ou pelo resto da vida.
As esperanças dele é que a gente dormisse, e no outro dia tudo amanhecesse lindo e maravilhoso.
(Mas espera ai... foi com meu filho e não comigo, não sou obrigada)
E eu não tava nem um pouco afim de amanhecer naquela casa, com o clima de velório que certamente era o que aconteceria, e com a mãe dele fazendo cara azeda, uma tromba elefante que se arrastaria por metros atras de onde ela andasse, sem olhar na cara de ninguém e quando abrisse a boca pra alguma coisa seria pra dar um coice em alguém.

Quando eu estava saindo, resolveram sair do quarto onde eles tinham se escondido pra me odiar, me pararam na sala pra despejar em cima de mim todo tipo de comentário inútil que alguém pode e não pode imaginar.
Claro que eu fui a ruim da história, que segundo minha sogra eu arranquei o menino do colo dela, e segundo ela mesma disse eu sou muito infantil por querer ir embora, que um adulto iria deitar e dormir (oi?) e que eu estava indo embora e eles nunca mais iam ver meu filho pq eu sou ruim o suficiente pra tirar o Caio do convívio deles.

Sinceramente a essa altura, eu já não me importava nem um pouco com o que alguém estava falando, eu queria sair dali o mais rápido possível.
Queria ir embora, não ouvir mais, não ver.. minha repulsa foi tão grande que eu só sentia nojo, da casa, do ar, das pessoas, pra mim tudo aquilo estava contaminado de alguma coisa tóxica a ponto de matar, era como se houvessem vermes brotando ali pelas paredes e pelo chão, tudo me empurrava pra fora dali, e apesar de ser ridículo e estúpido a idéia de tirar o Caio do convívio deles, que são avós, dava vontade de fazer exatamente isso.
De mudar pra longe, muito longe, num lugar semi-impossível de se chegar, e quando isso fosse possível, que isso aconteça uma vez em nunca.
Ou de morar perto, muito perto, mas jogar uma proibição de convivência, quase que como uma maldição ou praga, pra ninguem nem transitar em frente onde você mora...
Por fim, acredito que todos os meus devaneios se resumem a uma só coisa: querer uma paz que nunca consegui ter desde que casei.
Anseios por privacidade, de fazer passeios em família sem obrigatoriamente ter que levar a cunhada TODAS as vezes, a ponto de todas as pessoas acharem que ela é alguma filha do primeiro casamento do seu marido.
Querer não ter a vida invadida, estuprada por opiniões. Viver com minha família sem interferências.
Coisa que nunca consegui mesmo depois de me mudar pra São Carlos, porque sempre existe um meio de mandar remotamente na minha casa, na minha vida, no meu marido, e até no que eu cozinho.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Desfralde

Sou mamãe de primeira viagem, e não me envergonho de assumir algumas dificuldades..
Amamos nosso filho mais do que tudo no mundo e uma das coisas que prezamos aqui em casa é que tudo seja feito da forma menos traumática possível.
Li alguns (muitos) artigos sobre desfralde, alguns recomendavam de forma abrupta, outros devagar, enfim..
Como cientista e médico entende de criança, mas quem entende do Caio sou eu e o pai dele, achamos melhor explicar pra ele tudinho de forma bem descontraída e ver no que dava.
Assim como tudo na maternidade, o desfralde é um trabalho de paciência e vem dando bons frutos.

Então ai vai um passo a passo de como está acontecendo a coisa toda aqui em casa!!

A primeira coisa a se fazer..
converse com filho!
Conversamos muito com o pequenininho, expliquei que ele já estava ficando rapazinho, e tava na hora de aprender a usar o troninho.
Fiz fantoche de meia, mostrei vídeos, chamei ele ao banheiro quando a gente ia fazer xixi pra ele ver como acontece.. tudo é válido!

Segunda coisa.. ver onde a criança se adapta melhor:
vaso, tampa de adaptação, piniquinho.
Comecei a tentar o desfralde dele desde o ano passado, mais achei ele muito imaturo ainda pra esse fase, e decidi pular pra mais tarde, assim mesmo, sem crise.
Ele usava as vezes o piniquinho, mas eram raras vezes, deixei que se sentasse e se sentisse confortável ali, com roupas ou sem.. só pra ele saber que ali era dele.. compramos um adaptador de assento sanitário.. esse não surtiu efeito nenhum pra ele! Ele simplesmente não foi a cara do negócio!
Tinha medo de cair dentro do vaso sanitário, foi um perrengue e abandonamos!

Esse ano nas novas investidas ao vaso sanitário, ele usou diretamente o vaso, da forma como nós usamos, sem adaptador, só o acento convencional mesmo, de bunda grande! rsrsrs
Achei legal, o equilíbrio dele já está bom o suficiente pra ele não cair lá dentro, (rsrs) e ele se sente mais igual a nós. Isso ajuda!

Terceira coisa..
A maternidade é suja! Nós deveríamos usar luvas de borracha até pra dormir, não é mesmo?
Não tenha medo de sujeira!
Se vamos fazer o desfralde é preciso tirar a fralda!!!
E seu bebê vai fazer xixi no chão, no sofá, na cadeira, na cama, no tapete.. enfim...
o IMPORTANTE é o que você mãe e pai vai fazer, ATENÇÃO:
Se limite a explicar que ali não é certo, que não tem problema acontecer acidentes, mas você vai ficar mais feliz se ele fizer no lugar certo! Leve ao banheiro, mostre onde é o lugar certo.. crianças são muito ilustrativas, não adianta só falar, tem que mostrar, desenhar, ilustrar, etc.. (notou que isso é importante né?)

Uma coisa que me ajudou a mostrar pra ele que ele tava fazendo xixi, foi deixar ele pelado.
Nas primeiras vezes abria a torneira e era ali mesmo onde ele tivesse. Cabe a nós ficar monitorando pra evitar esses acidentes.
Perguntar de 5 em 5 minutos se a criança quer ir no banheiro. (e mesmo assim eles vão fazer sujeira, acredite)
Mas tenha calma, você acaba pegando o 'timing' do xixi!! E até o modo de andar quando a criança começa a se apertar..
Vamos supor, você notou que a criança faz xixi de 20 em 20 minutos, se perguntou por 15 e a criança negou ir ao banheiro até agora, não espere os 20 minutos, a probabilidade de um acidente esperando os 20 minutos é de quase 200%.. rsrs..
Pegue a criança antes disso e sente ela no banheiro.
Peça pra ela relaxar e fazer xixi.
Pode ser que nas primeiras vezes ela não faça, mas depois de algumas tentativas ela vai conseguir, e melhor, vai começar a notar quando está com vontade de fazer, e algumas vezes até ficar sem graça quando escapar fora do lugar certo.
Isso é muito importante!!!!! É muito valioso ao processo!
Depois que a criança consegue perceber que quer fazer xixi, ela começar a ter a noção de soltar ou segurar o xixi, e pode ser que algumas vezes ela comece a fazer xixi no chão, e quando notar que está escapando, vai correr pro banheiro. (e algumas dessas idas acontecem debaixo de gritos como por ex: to fazendo xixi!) rsrs
Essa é a fase do xixi na porta do banheiro!!
É normal, faz parte do processo da criança aprender o tempo dela.
Tenha paciência! Explique que é normal, é natural escapar, mas você vai ficar mais feliz se ela fizer no lugar certo.. e ai fazemos o que? MOSTRAMOS ONDE É O LUGAR CERTO!

Percebeu que é uma repetição?
É isso mesmo... É assim que funciona!

Quarta coisa..
FIQUE MAIS FELIZ QUANDO ELE FIZER NO LUGAR CERTO!
Seja você que tenha sentado a criança lá ou ela ido por conta própria, pedindo..
FAÇA UMA FESTA!
Cante, pule, dê parabéns, diga que está orgulhosa, que está contente!

Aqui em casa fizemos até uma musiquinha quando ele conseguia fazer xixi no vaso. kkkkk
Se for cocô, faça mais festa ainda!

Eu dava pequenos brindes ao Caio quando ele conseguia.
Um adesivo, um dia peguei uma folha e dei um lápis de cor pra ele, e a cada novo xixi ele ganhava uma cor diferente pra desenhar.
Coisas simples sabe?
Se era cocô, ganhava 2 lápis!

Conforme a criança for notando o controle dela sobre o xixi e o cocô, vai crescendo o limite de tempo que ela passa sem acidentar roupas e piso e etc..
Quando você achar que a maturidade está boa o suficiente pra ela notar que quer fazer xixi, comece a incluir peças de roupas no dia a dia.
Uma cuequinha, depois uma cueca e um short..
Pode ser que no começo a criança confunda a roupa com a fralda, e faça alguma sujeira.. não se desespere!!
Se ela errar, o que fazemos?
Sim! Explicamos que não problema errar as vezes, mas que ficaríamos mais felizes se ele fizesse no lugar certo...  E fazemos o que mais?
Parabéns! Você aprendeu mesmo!
Mostramos o lugar certo! Isso ai!!

Agora que você já sabe como funciona, esteja munida de muito sabão em pó, pano, balde e desinfetante e principalmente PACIÊNCIA!!
Não brigue, não traumatize a pobre criança.. se imagine tendo que aprender algo novo no trabalho e ter alguém impaciente perdendo a paciência com você?
Tudo é novo para a criança...
Mamães.. CORAGEM e uma BOA EMPREITADA!


Espero que ajude a vocês flores marinheiras, companheiras de maternidade.
Mostrando um pouco o fruto do nosso sucesso, divido com vocês que hoje chegamos ao ponto aqui da primeira saída na rua sem fraldas.
Passeio de 40 minutos sem acidentes.

To muito orgulhosa (e babaca) mesmo!!

Boa sorte! Espero ter ajudado!
Beijinhos!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Caio que fala! rsrs

Pois é.. esses dias do nada o Caio falante das nossas vidas falou pra gente:
- Quélu mãozinho..
Eu: Filho, você quer um irmãozinho?
- Pá bincá!

Me deu uma peninha.. ele é uma criança de apartamento, e brinca comigo e com os brinquedinhos dele.
É mais difícil o contato dele com outras crianças..
Fiquei pensando...

Eis que domingo (ontem), duas pessoas me disseram a mesma coisa.
"Ele ta numa fase boa pra você arrumar outro, mais do que 3 aninhos é muita coisa, a criança fica com muito ciúme, e ele não fica muito manhoso"

Ai ai...
Vou continuar pensando... rsrsrs...

Prevejo postagens chovendo pedidos e encorajando um novo bebê em 3..2..1
kkkkkk

(por enquanto só pensando)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Atualizando

Essa é pra pegar de surpresa quem acha que eu sumi do blog! kkkkkkkkkk
Pois é.. não sumi, só que a rotina meio que tirou as novidades da gente. Então eu não tinha muita coisa pra contar.
Ultimamente o Caio está muito muito falante, ele fala de tudo e só se embanana um pouco ainda com so R's.
É muito esperto, e ta numa fase muito gostosa.
Brinca bem com crianças mais velhas, canta várias músicas infantis, e no geral é muito dócil.
Lindo da minha vida! <3
Quem sabe logo volto com mais novidades...
Beijocas!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Marina

Um pouco tardio, mas vim deixar meus parabéns a minha amiga-irmã Meyre.
Parabéns pelo bebê de vocês!
Que a Marina venha somar na alegria e felicidade da família, muita saúde e alegria pra vcs!
Um beijo imensooo!!

;*

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Algo de mim.. bem cru e sem maquiagem.

Comecei a vida sendo filha..
filha perfeita, inteligente, que ia bem na escola, que se destaca em tudo o que faz..
Entrei na adolescência, tive minhas dificuldades, meus medos e traumas, e as vezes algumas até maiores do que as outras pessoas..
Gostei de pessoas que não gostavam de mim, dei importância a quem só me ignorava, acreditei em quem mentia pra mim, fui feita de boba, chorei..
Tive bons amigos, carreguei alguns comigo, outros se afastaram..
Passei pela separação dos meus pais, fiquei confusa, fui mal na escola, tive amigos ruins, achei que era esperta e nem era tanto..
Tive amigos que usavam drogas, bebiam, era gays, gostavam de pagode, de rock ou de procurar assombração.
Deixei de ser acreditada, deixei de dar esperança, pintei meu cabelo de verde, azul, roxo, rosa, vermelho, preto, coloquei piercings, fiz tatuagem, andei de skate, bicicleta, patins, patinete, de moto e de camelo.
Usei calças rasgadas, muita roupa preta, maquiagem..
Depois usei roupas bonitas, fui bonita, coloquei salto, fiz carão.. e aos 17 anos usei shorts pra sair pela primeira vez na minha vida.. enfim já não me achava mais tão feia..
Fiz dança, fiz musculação, fiz esportes, fiz luta..
Descobri que estava doente..
Fiz exames, ultra-som, radiografia, escutei vários médicos, joguei os exames no lixo, desacreditei e continuei vivendo.
Chorei...muito e sozinha.
Fiquei mais de um ano sem conversar com meu pai e tendo um relacionamento péssimo com a minha mãe, me sentindo o último ser humano e tentando entender porque tinha que ser assim.. afinal, eu era querida por eles quando era pequena, eu era a preferida!!! Porque????
Fiz cursos, estudei muito, estudei uma coisa atrás da outra pra me ocupar e me fazer esquecer de tudo o que eu não conseguia.
Me formei em computação, espanhol, telefonista, recepcionista, direito do trabalho, segurança do trabalho, fiz faculdade de turismo e fiz um filho sem planejar.
Desisti da faculdade faltando dois meses pra me formar, desisti de entender os meus problemas porque agora eu estava muito ocupada sendo julgada pelas pessoas..
Sendo taxada de burra, idiota, ouvindo que enfiei minha vida no nariz, que eu era uma estúpida, que eu não deveria me casar.. o que eu ia fazer da minha vida agora?
Recebi milhares de olhares de desaprovação, pessoas me apontavam nas ruas, cochichavam olhando pra mim, ouvi comentários que eu deveria fazer um aborto, que eu não servia para ser mãe, recebi desconfiança e falta de crédito quando eu deveria ter apoio.
Trabalhei muito num emprego que eu odiava, aguentei até o dia final da minha licença maternidade.
Fui colocada pra fazer cobrança de moto embaixo de chuva e sol com uma barriga enorme..
Nunca pensei em desistir..

Então sai da casa da minha mãe, me casei com o pai do meu filho que era o único acalanto que eu tinha no meio do furacão, vivi na casa dos meus sogros por um ano, passei por diferenças de pensamento, de criação, de compatibilidade, de liberdade..
Abri mão da minha vaidade e tudo o que eu tinha falado a vida inteira que nunca faria.. fiz o caminho contrário..

Chorei, senti saudade da minha cama, senti falta de conversar os assuntos da minha casa, senti vontade de morrer algumas vezes.. pensando bem, foram muitas vezes, mas sempre tinha o colo do meu marido pra me dar alento quando eu mais estava desesperada. Ele foi o único no mundo inteiro.
O que eu sabia e tinha certeza, é que eu amava aquela vida que eu carregava dentro de mim, e amava meu marido... era só isso que eu sabia.
Eu não tinha condições de comprar o básico que meu bebê precisava, eu não tinha um trabalho bom, eu não tinha condições psicológicas, eu não tinha noção do que estava acontecendo comigo.

Tentei me situar
tentei me acalmar
tentei me preparar

Meu filho nasceu!!!

As coisas foram ganhadas, emprestadas, ajeitadas.. como deu.
Eu não tinha casa, eu não tinha emprego, eu não tinha condições...
O que eu tinha era um filho pra criar, e um marido!

Eu confiei, eu confiei piamente em Deus e no meu desejo de conseguir mudar.

Oito meses depois meu marido conseguiu emprego em outra cidade, e se mudou pra São Carlos.
Eu fiquei com meu filho na casa dos meus sogros.
Eu fiquei sozinha com meu filho...
Outra família, outros costumes..
Depois das 18h eu não tinha com quem conversar, eu não tinha ninguém pra me ajudar, eu ia tomar banho de madrugada porque eu estava só com meu filho, e quando ele dormia é que eu conseguia fazer isso.
Eu levava meu filho no banheiro quando queria fazer xixi..
Eu emagreci muito e chorava todos os dias.

Em janeiro me mudei pra São Carlos, comecei a trabalhar no mesmo lugar que meu marido estava trabalhando, e morei de favor na casa de uns amigos.
A mãe dessa amiga vivia mais na casa que eu morava do que na casa dela e por ironia do destino resolveu nos tratar muito, muito mal..
Levei uma vida difícil, acordava de madrugada com meu filho e meu marido pra pegar ônibus, pra deixar ele na escolinha, e ir trabalhar.
Meu trabalho era ridículo, a dona do estabelecimento uma ignorante, e eu ganhava muito mal, mas precisava trabalhar.
A escola do meu filho começou a me dar problemas depois de um mês, tirei meu filho da escola, e tive que mandá-lo pra ficar com a minha sogra, fiquei longe do meu filho uma semana inteira..
Chorei muito, chorei desesperadamente, emagreci mais.

Consegui escola pro meu filho e pude vê-lo na noite do dia 31/01.. seu primeiro aniversário.
Nenhum bolo, nenhum presente, nenhum parabéns.

Depois de dois meses conseguimos alugar uma casa de fundos..
Não tínhamos móveis, nem dinheiro..
Entramos numa dívida que não tinha outro jeito, um carro.
Parcelamos algumas coisas básicas pra começar a viver, geladeira, fogão, microondas e cama.
Compramos um sofá usado, e emprestamos algumas prateleiras pra servir de guarda-roupas.
Começava uma nova fase!
Na nova casa tive problemas com os vizinhos, com infiltração e todo mundo vivia doente.
Fim de ano, esperança de melhoras, férias na cidade com a família..
Planejamos fazer uma pequena comemoração no segundo aniversário do nosso filho.
Nosso cartão do banco é clonado e todo o nosso dinheiro se vai..
O que estava certo fica incerto e começamos o ano cheios de Dívidas!
Desde o ano passado que estou desempregada e só meu marido trabalha.

Chega novamente o dia 31/01..
Consegui fazer um pequeno bolo pro meu filho, e chamamos 4 amigos para cantar parabéns.
Nenhuma criança.

Vencimento do contrato de aluguel, a casa está com uma infiltração terrível e precisamos nos mudar.
Depois de um ano conseguimos mudar pra um lugar melhor..
Ainda temos dívidas e eu ainda estou desempregada.
Tive que tirar o Caio da escola, que novamente deu problemas e deixou a desejar nos cuidados com criança.
Descobri que sou feliz!


Moral da história:
- nunca desista de confiar em Deus, o caminho é longo, mas as vitórias vem aos poucos, a dois anos atrás nós não tínhamos NADA. Tínhamos nosso filho e a responsabilidade de conseguir meios de criá-lo.
- descobri no meu marido o maior e melhor companheiro que pode existir pra todas as situações e todas as horas.
- conquistamos poucas coisas, mas as pequenas conquistas que conseguimos, reconhecemos, agradecemos e amamos.
- viva um dia de cada vez.
- tenha quem amar e ser seu porto seguro.




Meus maiores presente e honra são ter vocês ao meu lado a cada dia...
AMOR MAIOR NÃO EXISTE!!



Obrigada por tudo! Por cada minuto!


...


As vezes eu penso em desistir de escrever.. serião...